Rammstein - 2009 - Liebe Ist Für Alle Da

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Olá amigos do Antro. O assunto de hoje é o último lançamento do Rammstein, o Liebe Ist Für Alle Da. Sinceramente, ainda não sei como eu não falei sobre ele ainda. Mancada feia. O tempo anda curto, mas ainda estou aqui, com planos de falar dos discos da minha coleção de vinis e das bandas que eu andei conhecendo nestes últimos meses. Mas chega de lenga-lenga e conversa fiada, vamos ao que interessa!

Trata-se do sexto álbum de estúdio da banda, que, como todos sabem, é uma das minhas favoritas. Acontece que este álbum demorou um pouco para sair. Um período de quatro anos o separa do antecessor, o Rosenrot, de 2005, que é muito mal falado pelo mundo afora (injustiça danada).

Felizmente a espera foi recompensada com um dos melhores álbuns da banda, além de uma turnê matadora. Eu estava lá, e você pode conferir aqui mesmo no Antro como foi esse show fenomenal.

Expectativa
Estávamos todos ansiosos por novas músicas do Rammstein. Com “estávamos” eu quero dizer o mundo, afinal já tem alguns anos que eles alcançaram reconhecimento internacional com sua música e com suas inúmeras polêmicas. Me lembro do medo que deu quando ouvi dizer que eles estavam trabalhando em algo novo. Ainda recordava bem as reprovações com relação ao Rosenrot. A banda vinha falando deste álbum novo desde 2007, aumentando a expectativa.

Em novembro de 2007 estas eram as informações que tínhamos:
  • Em uma entrevista à revista Metal Hammer, Richard  Kruspe diz que o CD estará sendo gravado agora nosso verão. A sonoridade do CD se aproxima do Herzeleid, com músicas mais pesadas e menos recursos eletrônicos.
  • Paul Landers, em entrevista ao site The Gauntlet disse que a banda já compôs 30 canções, mas que desta vez haverá um CD apenas, com as melhores músicas. Ele diz também que esse pode ser o album mais pesado da banda.
  • Paul afirma que a próxima turnê da banda também virará um DVD.
  • Também em entrevista ao The Gauntlet, Richard afirma que o novo álbum poderá ser gravado em Los Angeles - Califórnia, EUA. Richard tem estado em alguns estúdios em LA, porém nada ainda está definido.
  • Em entrevista ao site VampireFreaks, Paul Landers disse que o contrato da banda com a Universal Music terminou após o lançamento do álbum Rosenrot. Desta forma, a banda está a procura de uma nova gravadora.
Bem, só pela segunda linha ali eu já me assustei. Pow, 30 canções! O álbum mais pesado da banda! Herzeleid!

Apesar de as notícias serem de 2007, o álbum só foi lançado em 16 outubro de 2009.


Sonoridade
Bem, nem tudo o que os integrantes do Rammstein falaram se concretizou. Primeiro, o álbum não é muito próximo de Herzeleid. Bem pelo contrário. Enquanto o primeiro disco da banda soa como martelos uníssonos derrubando paredes, seco, cheio de porrada. LIFAD está repleto de sons eletrônicos (os abençoados teclados de Flake), as batidas soam menos automáticas, com uma bateria muito mais trabalhada e orgânica. Os arranjos exploram bastante os climas, intercalando partes calmas com partes agitadas. Os riffs, assim como todo o resto, estão menos "sintéticos", menos secos, mas ainda transparecem precisão, e soam como quilos de guitarras nos seus ouvidos!

Uma coisa interessante é que, comparado com os outros álbuns, a voz de Till Lindemann está menos carregada de efeitos. Parece que resolveram deixar o gogó cavernoso do cara o mais próximo do natural. Aliás, o senso melódico de Till foi aprimorado, já que agora ele canta na maioria das canções, ao invés de recitar os versos como fazia nos álbuns anteriores.

Aliás, se for para comparar álbuns, Mutter está bem mais próximo de Herzeleid do que LIFAD. Basta comparar Waidmanns Heil e Rein Raus com Weißes Fleisch, por exemplo. Na verdade, quando o assunto é Rammstein, acho complicado comparar álbuns, porque os caras variam muito o estilo de um disco para o outro.


Destaques
Impossível destacar isso ou aquilo neste disco. Ele é completo, então eu não vou destacar três faixas, como de costume, vou falar de alguns pontos que merecem atenção.

O início de Rammlied, que soa como um hino suave até ser tomado de assalto pelo coro de "RAMM-STEIN!" É porrada, meu camarada! Ich Tu Dir Weh, com seu riff arrastado e sua intro pomposa, tem um refrão grudento e com uma boa melodia, e aqui ouvimos Till atingir notas altas, coisa que ele não fez em nenhum dos álbuns anteriores; destaque também para a letra, cujo conteúdo causou reboliço nos conservadores alemães. B******** (ou "Bückstabü") é a mais pesada do álbum, com uma intro violenta apesar de cadenciada, e um refrão brutal; destaque novamente para o Till, que manda um som quase gutural nesta faixa; o conceito desta faixa é interessante, já que “B********” não tem significado específico, você é quem deve dar significado para isso, e “Bückstabü” foi uma palavra inventada pela própria banda.

Frühling in Paris é uma senhora balada, com um dedilhado jamais visto na discografia da banda; o refrão foi retirado da canção "Non, je ne regrette rien", de Edith Piaf. Wiener Blut, com uma boa variação de atmosfera, vagando entre o calmo quase sarcástico e a pancadaria irracional do refrão, trata do caso Fritzl (Josef Fritzl, o Monstro de Amstetten, que manteve sua filha presa no porão entre 1984 e 2008, estuprando-a regularmente).

O maior destaque é Pussy, com seu conteúdo jocoso e polêmico, falando de tráfico sexual e o conservadorismo alemão; com aspectos simples e menos rebuscados, a faixa tem características de música pop; o clipe, como todos sabem, tem conteúdo pornográfico. A faixa título é a síntese da evolução da banda, bastante orgânica, explorando muito bem os vazios, e apresentando mais um daqueles solos estranhos, que a gente não sabe bem se é de guitarra ou de teclado. Mehr é a fusão perfeita entre os elementos eletrônicos e sintéticos e o Heavy Metal, que é a principal característica do som do Rammstein.


Repercução: sucesso e censura
Isso deu um problemão!

Por volta de novembro de 2009, um mês após o lançamento do disco, o Bundesprüfstelle für jugendgefährdende Medien (BPJM), que é o órgão alemão responsável pela análise de conteúdo de mídia nocivo para jovens, proibiu a venda do LIFAD a menores de 18 anos, além de vetar uma faixa do disco e a divulgação publicitária.

A faixa censurada é Ich Tu Dir Weh ("Eu te machuco"), cuja execução foi proibida. A letra também não poderia ser impressa. Enfim, ignorância das grandes. O disco não podia sequer ser exibido em vitrines. Esta foi a primeira vez que um álbum inteiro foi censurado na Alemanha desde 1987, quando o mesmo aconteceu com a banda punk Die Ärtzte. Segundo o BPJM, o disco incentiva o sexo desprotegido e práticas sado-masoquistas de risco (é, foda violenta!).

A capa também foi censurada, devido à imagem, que apresenta Till Lindemann prestes a fatiar uma mulher nua, numa espécie de santa ceia bizarra, entre outras cenas presentes no encarte. Por causa dessas questões, o álbum foi relançado em 16 de novembro, com uma capa diferente e sem a faixa proibida. Posteriormente a execução de Ich Tu Dir Weh também foi banida dos shows, mas nada disso impediu o lançamento do clipe em dezembro de 2009, no mesmo site pornô onde eles haviam lançado o clipe de Pussy, e o single foi lançado na Europa em fevereiro de 2010.

Em 31 de Maio de 2010 a censura foi revista. O tribunal decidiu a favor do Rammstein, declarando que o BPJM não tinha o direito de colocar Liebe Ist Für Alle Da na lista restrita, pois o argumento de suposto sadismo do álbum - que poderia prejudicar o desenvolvimento sexual dos jovens - não era o suficiente para uma proibição. Segundo a decisão, ele contém "apenas uma sugestão surrealista à coisas desagradáveis e não uma descrição pormenorizada e real de violência".

Logicamente trata-se de uma interpretação não-reflexiva, imatura e ignorante, já que qualquer um com um mínimo de inteligência consegue perceber que não se trata disso. Como Flake disse na época, a proibição deriva de uma "visão pequeno-burguesa da arte". Alguns dizem que isso foi demagogia do governo alemão, para ressaltar o caráter cristão, moral e nhenhenhe da sociedade alemã. Bem, se foderam, pois antes de 2009 chegar ao fim o disco estava no topo das paradas europeias, com mais de 300 mil exemplares vendidos.


Conclusão
Ouçam, pois o álbum é do caralho, uma amostra sensacional de expressão artística de primeira, que a maioria das bandas de Metal não tem capacidade de alcançar.

Liebe Ist Für Alle Da mostra um Rammstein evoluído, experiente, consciente de seus próprios pontos fortes e seus limites, mas também bastante disposto a mudar, como sempre. Todos os membros esbanjaram habilidade nestas músicas, mas Till Lindemann e Christopher Schneider são os músicos cuja atuação mais chama atenção neste disco.

Este vinil está na minha coleção! E para mais detalhes sobre a edição em LP, acesso o De Volta Para o Vinil, do grande Diego Kloss.
\m/

Confira mais abaixo os clipes de Pussy (sem censura, rapá! Not Safe For Work!), Ich Tu Dir Weh e Haifisch.



Álbum: Liebe Ist Für Alle Da
Ano: 2009
Faixas (set list do vinil duplo):
Side 1      
1. "Rammlied" 5:19
2. "Ich Tu Dir Weh" 5:02
3. "Waidmanns Heil" 3:33

Side 2
4. "Haifisch" 3:45
5. "B********" 4:15
6. "Frühling in Paris" 4:45

Side 3
7. "Wiener Blut" 3:53
8. "Pussy" 4:00
9. "Liebe ist für alle da" 3:26

Side4
10. "Mehr" 4:09
11. "Roter Sand" 3:59

Faixas bônus:
1. "Führe mich"4:34
2. "Donaukinder"5:18
3. "Halt"4:20
4. "Roter Sand"4:06
5. "Liese" 3:56

Integrantes:
Till Lindemann – lead vocals
Richard Z. Kruspe – lead guitar, backing vocals
Paul H. Landers – rhythm guitar, backing vocals
Oliver "Ollie" Riedel – bass guitar
Christoph "Doom" Schneider – drums
Christian "Flake" Lorenz – keyboards

Produção:
Jacob Hellner


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Referências:
De Volta Para o Vinil
Rammstein Brasil
Deutsche Welle
Wikipedia

4 gritos:

Raissa Guilhon gritou:

Opa. gostei do blog . me identifiquei. estou seguindo e espero sua visita ao meu. talvez goste. abraços

Diego Kloss gritou:

Opa rapá...destruidor...mesmo.
Satanás te cuida... hehehe
Valeu pelas citações, fiz o mesmo no meu, afinal o que é bom tem que ser compartilhado e divulgado. Vou ver se coloco as fotos do encarte todo no site, vou completar a matéria.

Marlon Weasdor gritou:

Valeu Raissa! Que bom que gostou do Antro!
Fique à vontade.

Ae Diego! Valeu o apoio!

Luã gritou:

Grande banda,grande album e grande analise!Rammstein apavoro nesse album,valeu a resenha!belo trabalho Marlon!

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